Conversas I

- Oi pá, tudo bem?
- Tudo na boa. E tu?
- Sempre a bombar. Olha, já falaste com o teu banco?
- Não. Nem com o teu.
- Tás parvo?
- Não. Não vou entrar.
- Não vais entrar? Ouve lá, o que é que andas a meter na veia? Gesso?
- Epá, não sei porque raio é que havia de entrar. Estou bem como estou. Não preciso de mais.
- Isso não interessa, pá! É uma oportunidade do catano.
- Tudo bem, até pode ser, mas gastar dinheiro só porque sim é uma estupidez.
- Ok, tu é que sabes, mas digo-te que já que estupidez é não entrar.
- É a tua opinião. Agradeço o aviso à navegação mas já decidi.
- Ok. Já agora, quando é vamos lá a casa?
- Desculpa?
- Eu e a miúda. Não tinhas dito que um dia destes fazias um jantar e tal?
- Ah. Pois é. Desculpa lá, tinha-me esquecido.
- Dasse és sempre a mesma merda. E então, esta semana dá-te jeito?
- Não sei. Deixa ver como as coisas correm por aqui e depois ligo-te.
- Está combinado. Desta vez a ver se não te baldas. A miúda nem sequer te conhece e já ando com ela há um tomate de tempo.
- Ok. Ok. Tá descansado eu vejo isso e telefono.
- Ok. Fica bem então.
- Tchau.
- Tchau.

Publicado em 04 de Julho de 2008
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1 ano e 2 meses e 1 minuto

Eu não acredito num Deus intervencionista
Mas sei, minha querida, que tu acreditas
Mas se acreditasse ajoelhava-me e pedia-Lhe
Para não intervir no que te toca
Não mudar sequer um cabelo na tua cabeça
Deixar-te como és
E se Ele achasse que te tinha de te dirigir
Então que te dirigisse para os meus braços

Para os meus braços

E eu não acredito na existência de anjos
Mas olhando para ti já não tenho tanta certeza
Mas se acreditasse iria chamar todos eles
E pedia-lhes que olhassem por ti
Para que cada um acendesse uma vela por ti
Para iluminar o teu caminho
E caminhar, como Cristo, na graça e no amor
E guiar-te

Para os meus braços

Mas eu acredito no Amor
E sei que tu também
E acredito num caminho
Que ambos podemos caminhar, juntos
Por isso deixem as vossas velas acesas
Para manter a sua viagem luminosa e pura
Para que ela continue a voltar
Para sempre

Para os meus braços

Nick Cave – Into My Arms

Publicado em 21 de Dezembro de 2007
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Outros Tempos I

Era um vez o espaço – voz de Pedro Mascarenhas, que também foi a voz do anúncios “Gilette… o melhor para o Homem” e do “…um cornetto pra mim, um cornetto pra ti, ola ola…“.

Publicado em 19 de Outubro de 2007
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Músicas de Arrepiar

Para mim a música sempre foi um caso sério.

Sempre me conheci a gostar de música e esse gosto sempre foi muito mais além do que apenas uma banda sonora para uma conversa ou o entretenimento fácil do momento.
Não tenho nada contra quem pensa e sente a música de modo diferente, mas para mim a música sempre foi algo de físico, visceral, que me toca fundo e que é capaz de mudar o meu estado de espírito como um autêntico catalisador de emoções.
E aprendi muito cedo a utilizar esta ou aquela música para provocar um certo efeito físico desejado, ou potenciar algo que já existia.

Mas não são todas a músicas que têm a capacidade de me tocar. Não sei dizer porquê, nem perceber totalmente quais os factores que o provocam, mas só mesmo um punhado de músicas é que têm o condão de me fazer arrepiar. E eu gosto de muita música.

Apercebi-me deste arrepio musical lá para 1996 quando trabalhava na adaptação de uma obra da BBC – “A História da Música Pop” – quando ouvi pela primeira vez o A Day In The Life dos Beatles.
Aqueles primeiros acordes de piano a introduzir a voz suave de John Lennon que canta “I read the news today...” provocaram-me um arrepio instantâneo e para sempre mudaram não só os meus gostos musicais mas a minha maneira de ouvir música.

Mesmo com 30 anos de atraso, os Beatles tinham feito mais uma vítima.

A partir desse momento comecei a reparar em certas músicas que tinham esse poder sobre mim. O de me fazer arrepiar. Umas vezes era a letra outras a música, ainda outras a voz de quem cantava… ou raramente muito raramente todos estes três factores juntos.

A Day In The Life foi no fundo o ponto de partida de uma viagem musical muito íntima e pessoal que faço desde essa altura, que expandiu os meus horizontes, descobriu-me novos mundos, e no fundo construiu parte do edifício da pessoa que eu sou hoje.

Publicado em 12 de Outubro de 2007
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Por um punhado de euros…

Há quem diga que o dinheiro não traz felicidade, que é uma ilusão, que cria mais problemas do que resolve.
Na minha modesta opinião, o dinheiro não só cria felicidade, como eu diria mesmo que quem tem dinheiro é substancialmente mais feliz do que quem não tem.

Isto não quer dizer que se possa comprar felicidade ao litro como quem compra dois pacotes de leite no supermercado.
A questão é bem mais subtil.

O que o dinheiro nos dá é essencialmente tempo e liberdade.

Tempo no sentido em que quem tem dinheiro tem acesso a melhor saúde e portanto não só tem melhor qualidade de vida como tem maior esperança de vida. E tempo no sentido em que de cada vez que pagamos a alguém para, por exemplo, nos limpar a casa, estamos literalmente a pagar para alguém gastar o seu tempo para fazer algo que não queremos ou não temos tempo para fazer.

Dependendo do meu nível de riqueza, terei que gastar do meu tempo para ganhar o dinheiro que uso para comprar o tempo dessa pessoa. Ora com mais dinheiro, não teria que usar parte do meu tempo de vida para conseguir comprar o tempo de alguém.
Limitava-me a passar um cheque.

E isto é válido para quase tudo o que fazemos na nossa vida quotidiana.
Não estou limitado a certas marcas, a certos carros, a certas casas, a certos restaurantes, a certos transportes, a certos trabalhos. Ter dinheiro dá-nos a liberdade para escolher e o tempo para reflectir sobre não só o que escolho mas porque escolho e como escolho. Dá-nos alívio da pressão das contas e das responsabilidades financeiras, dá-nos tempo para a família, dá-nos tempo para dedicarmos a quem amamos e a quem nos ama. Ou seja, liberta-nos das necessidades materialistas e permite-nos dedicar ao que realmente vale a pena nesta vida.

Claro que nem todos os ricos são felizes, e nem todos os pobres são infelizes. Mas garantidamente os ricos têm mais probabilidades de ser felizes que os pobres. E se formos a ver, as razões da infelicidade de quem é rico normalmente não têm nada a ver com dinheiro. Podem ser infelizes apesar de serem ricos, mas não são de certeza infelizes por serem ricos.

E mesmo quando me dizem que dinheiro provoca a infelicidade porque de repente toda a gente nos crava dinheiro, desculpem lá mas isso não é infelicidade, isso é apenas uma chatice! É como ganhar um carro num sorteio e refilar com a cor dos estofos.

Quem diz que o dinheiro não compra felicidade, anda claramente a comprar no sítio errado.

Publicado em 22 de Maio de 2007
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We’ll always have Paris…

O meu amigo Carlos, diz no “Mataspeak” acerca de fotografia que

uma imagem não só pode retratar a realidade como pode mesmo amplificá-la.

Gostaria de comentar um bocado duas fotografias famosas, aparentemente com o mesmo assunto – o beijo – que ilustram o que o Carlos escreveu sobre a realidade da fotografia.

O beijo de Robert Doisneau:

Robert Doisneau, Le Baiser de Hotel de Ville, Paris 1950

e o beijo de Alfred Eisenstaedt:

V.J. Day Kiss, Alfred Eisenstaedt


A foto de Doisneau é representativa (quase no mundo inteiro) do que é Paris e a França. O Amor, a arte, o romance…
Está muito bem enquadrada e captura de modo cristalino um momento de amor, como se o tempo tivesse parado para aquele casal.

Em contraste, a foto do Eisenstaedt , chamado The Photographer of the Defining Moment, é mais crua, mais factual e menos artística, captura o momento de emoção de dois anónimos nas ruas de Nova Iorque em 1945 no dia V.J. (Vitória sobre o Japão). Eisenstaedt estava no sítio certo na altura certa. Os seus olhos viram o momento, a câmara capturou-o.

A foto de Doiseau é falsa no sentido em que foi encenada e a foto de Eisenstaedt é verdadeira no sentido em que foi tirada numa fracção de segundo sem preparação. Na minha opinião nenhuma delas perde méritos por uma ou outra razão.
No entanto, a fotografia de Doisneau assombra-me a memória, e a de Eisenstaedt nem por isso.

Talvez por não ser americano, ou talvez por não ter vivido, felizmente, a Segunda Guerra Mundial não consigo ter pela foto do marinheiro e da enfermeira mais do que uma curiosidade clínica e factual – “deve ter sido incrível aquele dia” …

A foto de Eisenstaedt é um pedaço de história, um freeze-frame da realidade.
A foto de Doisneau é um itemporal hino ao amor.

Eisenstaedt mostra o real como ele é, Doisneau amplifica-o.

Para quem ama ou alguma vez amou, a foto de Doisneau invoca uma memória, não de um local, de uma pessoa ou de um momento específico, mas do sentimento de estar apaixonado, de amar e ser amado.

De cada vez que olhamos para ela, não podemos deixar de nos sentir tocados, e tal como Bogart no imortal Casablanca, aconteça o que acontecer sentimos que We’ll always have Paris…

Publicado em 02 de Maio de 2007
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Olá Mundo!

Não me vou alongar muito neste primeiro post.
É o primeiro artigo, no meu primeiro blog. Ou melhor, não é exactamente o meu primeiro blog.
Tecnicamente o meu primeiro blog foi escrito ao longo de vários anos em vários cadernos, blocos, agendas, guardanapos e basicamente tudo o que estivesse à mão… Na sua maior parte frases sem muito sentido a não ser para a pessoa que eu era na altura.
Mas no sentido digital do termo este é de facto o meu primeiro blog, mas como estes primeiros posts são sempre uma pincelada para escrever decidi não me adiantar muito. Pode ser que, assim, tenha vontade de escrever mais alguma coisa.

Depois não digam que eu não avisei.

Publicado em 07 de Março de 2007
Arquivado em Nada | 1 Mísero Comentário